Antítese
Toda realidade é conflito; todo sonho, um dilema.
O sonho é a vitrine vasta para uma vida estreita.
Exibe o infinito ao homem finito,
o eterno ao corpo limitado.
Grandes são os anseios, pequena é a carne.
A intrepidez desafia o abismo; a prudência teme o passo.
Insiste. Persiste.
Pois o sonho é o que fica enquanto a vida passa.
O tempo nada explica, nada justifica.
O relógio marca a morte, mas o peito pulsa a eternidade.
O viajante tolo fia-se no mapa rígido;
o explorador de sonhos guia-se pelo instinto fluido.
A realidade é o destino, a armadilha armada.
O sonho é a fuga, a estrada inventada.
Um aceita a sorte; o outro dribla o acaso.
Um curva-se ao fato; o outro rasga o descaso.
Torna possível o que era absurdo.
Trai o concreto para abraçar o etéreo.
Foge do carrasco, flerta com a ilusão.
Pois é melhor o delírio que liberta
do que a verdade que aprisiona
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Roberto Sant











