A força da palavra
Outrora, era jovem demais para namorar
Ontem, me encontrava abatido para amar
Hoje, sou o que restou de muitos enganos
Um simples te amo, mudaria toda história
Deixei o tempo passar, sem me expressar
Confiante que não precisava me declarar.
Entusiasmando com o vigor e gozo juvenil
Tudo era prazer e alegria, sem convenções
Desconhecia a força das palavras, ignorava
As ditas e sobretudo as não pronunciadas
Sólido que minha aliada presença bastava.
Palavras são geradas na mente e no coração
Muitas morrem, são sufocadas na garganta
Por medo e orgulho, nunca serão proferidas
A dureza do coração inseguro, criam dúvidas
Construindo narrativa triste de desencontros
Suposições, minando sentimentos, e relações.
Identificar a presença de um forte sentimento
Não alimenta ou nutri qualquer relação afetiva
É preciso afinidade, atitude e posicionamento
Negar a força de uma livre declaração de amor
É com estar no centro de um grande incêndio
E nada sentir, ignorando as ardentes chamas.
Existem coisas mais mortais que arma de fogo
Ou que qualquer objeto que provoque ferimento
Certas situações são perigosas, deveras mortais
Mais, que altos penhascos ou exposição ao fogo
Expressões articuladas, dispostas a machucar.
As extensões dos oceanos causam grande temor
Nem tanto, quanto o silêncio da pessoa amada
Dores são relativas, sofrimentos são absolutos
A fala tem poder de acalmar, como de apavorar.
O homem é por
natureza dependente sentimental
Movido por
emoções, sucessível a transformações
Um mapa é um bom recurso para evitar o abismo
E de pouca serventia, quando revelado no escuro.
Palavras duvidosas são verdadeiras ciladas verbais
Magoa, induz o descontento, que leva ao sofrimento
tornando o entendimento desencontrado e
sombrio
O sol evanesceu, minha única amiga é a escuridão.
Depois de toda resistência esvaída, aparece o temor
Configurado em forma de consternação e depressão
Desanimado, cansado, vi a desesperança se instalar
Submergindo e ocupando todo espaço do consciente
Apertando o coração, salientando, enaltecendo a dor.
Algumas palavras desnorteiam tudo
Desanimado, depressivo e esvaziado
Olhos cobertos por angústia e medo
Tudo em mim, é impresumível e dor
Observo uma alma sem afeto, alheia.
Sem dúvida, vi a vida caminhando para o precipício
Abismo da inexistência, onde o irreal comanda tudo
Ausência de forças, rumo a uma existência vazia
provocada por uma alma
ferida e coração em cacos
Decompondo todo sentido da vida, agenciando o fim.
De repente, uma luz, em forma de som, era você
Sua voz me resgatando da enevoada profundeza
Do poço dos esquecidos, que desistiram de tudo
Se a escuridão total, não me encontrou disposto
Decerto, porque você estava lá, iluminando tudo.
Articulando com todo brilho palavras de resistência
Argumentando o valor da vida, afastando as sobras
Repelindo o
espectro da morte, expondo a existência
Com simples
palavras de amizade, geradora de vida
Deposta
esperança, demostrando a força da palavra.











