Bem-vindos ao blog do escritor Roberto Sant. Aqui você encontrará histórias emocionantes e dicas valiosas para uma vida mais plena e feliz.

Escolha um lado

 



 Escolha um lado

 

     O mal se manifesta primeiramente na mente humana e, quando não contido pela razão e pela ética, materializa-se em ações imprudentes e danosas. Seus efeitos são visíveis e devastadores: discórdia, violência, guerras, miséria e fome. Acima de tudo, o mal gera o mais corrosivo dos sentimentos, o ódio, capaz de desumanizar o indivíduo e romper os laços que sustentam a convivência social.

    O pensador deve manter-se vigilante, pois, quando o assunto é a vida, não há lados legítimos que justifiquem a destruição do outro. A razão primordial da existência é a sobrevivência coletiva, e não a supremacia de ideologias ou interesses pessoais. Nenhuma circunstância, por mais adversa que seja, autoriza posições extremas. Decisões tomadas sob a influência de acontecimentos negativos tendem a perpetuar o próprio mal que se pretende combater. Cabe ao indivíduo escrever sua história por meio do exemplo, da boa conduta, da prudência e da coerência entre palavras, opiniões e ações. Afinal, o maior patrimônio de um homem é sua biografia, aquilo que ele constrói moralmente ao longo da vida.

    Afastar-se do mal é um dever ético, pois ele jamais oferece algo que seja genuinamente saudável ou benéfico. O mal opera por meio da conspiração contra tudo e contra todos; sua finalidade é promover a desgraça. Leva homens a cometerem os maiores absurdos, como o assassinato  seja de forma direta, pela violência física, seja de modo indireto, por meio da violência psicológica, da tortura emocional, da humilhação e da destruição da autoestima. Manifesta-se ainda pela repressão, ao negar a liberdade; pela injustiça, ao suprimir direitos individuais; e pela manipulação política, que oprime, aliena e escraviza consciências.

    Das injustiças nascem pensamentos de revolta e vingança, que alimentam um ciclo contínuo de violência. Nem sempre a verdade percebida coincide com a integridade moral e ética, e é justamente aí que reside o perigo. Nenhuma forma de violência se sustenta racionalmente, independentemente da suposta legitimidade da “verdade” que se acredita defender. O pensador deve questionar seus próprios pensamentos, investigar a natureza da verdade que professa e os valores que a acompanham. Justiça e injustiça caminham lado a lado, muitas vezes guiadas pela vaidade; contudo, não seguem na mesma direção nem alcançam o mesmo destino. A justiça busca a verdade; a injustiça apoia-se em suposições, distorções e inverdades.

    Escolher estar ao lado da verdade é um compromisso que exige coragem, mesmo quando o preço é alto. O mal não resiste à verdade fundamental de que todos somos iguais em dignidade, direitos e humanidade.

Roberto Sant

 

 

 

 


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