Bem-vindos ao blog do escritor Roberto Sant. Aqui você encontrará histórias emocionantes e dicas valiosas para uma vida mais plena e feliz.

A força da palavra

 


A força da palavra

 

Outrora, era jovem demais para namorar

Ontem, me encontrava abatido para amar

Hoje, sou o que restou de muitos enganos

Um simples te amo, mudaria toda história

Deixei o tempo passar, sem me expressar

Confiante que não precisava me declarar.

 

Entusiasmando com o vigor e gozo juvenil

Tudo era prazer e alegria, sem convenções

Desconhecia a força das palavras, ignorava

As ditas e sobretudo as não pronunciadas

Sólido que minha aliada presença bastava.

 

Palavras são geradas na mente e no coração

Muitas morrem, são sufocadas na garganta

Por medo e orgulho, nunca serão proferidas

A dureza do coração inseguro, criam dúvidas   

Construindo narrativa triste de desencontros

Suposições, minando sentimentos, e relações.

 

Identificar a presença de um forte sentimento

Não alimenta ou nutri qualquer relação afetiva

É preciso afinidade, atitude e posicionamento

Negar a força de uma livre declaração de amor

É com estar no centro de um grande incêndio

E nada sentir, ignorando as ardentes chamas.

 

Existem coisas mais mortais que arma de fogo

Ou que qualquer objeto que provoque ferimento

Certas situações são perigosas, deveras mortais

Mais, que altos penhascos ou exposição ao fogo

Expressões articuladas, dispostas a machucar.  

 

As extensões dos oceanos causam grande temor

Nem tanto, quanto o silêncio da pessoa amada

Dores são relativas, sofrimentos são absolutos

A fala tem poder de acalmar, como de apavorar.

 

O homem é por natureza dependente sentimental

Movido por emoções, sucessível a transformações

Um mapa é um bom recurso para evitar o abismo

E de pouca serventia, quando revelado no escuro.

 

Palavras duvidosas são verdadeiras ciladas verbais

Magoa, induz o descontento, que leva ao sofrimento 

tornando o entendimento desencontrado e sombrio

O sol evanesceu, minha única amiga é a escuridão.

 

Depois de toda resistência esvaída, aparece o temor

Configurado em forma de consternação e depressão

Desanimado, cansado, vi a desesperança se instalar   

Submergindo e ocupando todo espaço do consciente

Apertando o coração, salientando, enaltecendo a dor.

 

Algumas palavras desnorteiam tudo

Desanimado, depressivo e esvaziado

Olhos cobertos por angústia e medo

Tudo em mim, é impresumível e dor

Observo uma alma sem afeto, alheia.

 

Sem dúvida, vi a vida caminhando para o precipício

Abismo da inexistência, onde o irreal comanda tudo

Ausência de forças, rumo a uma existência vazia 

provocada por uma alma ferida e coração em cacos

Decompondo todo sentido da vida, agenciando o fim.

 

De repente, uma luz, em forma de som, era você

Sua voz me resgatando da enevoada profundeza  

Do poço dos esquecidos, que desistiram de tudo

Se a escuridão total, não me encontrou disposto

Decerto, porque você estava lá, iluminando tudo.

 

Articulando com todo brilho palavras de resistência

Argumentando o valor da vida, afastando as sobras

Repelindo o espectro da morte, expondo a existência

Com simples palavras de amizade, geradora de vida

Deposta esperança, demostrando a força da palavra.


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